Poemar... Pomares e Primavera! Colho flores em bouqué de Poesias...!
Gosto do básico e andar descalça e de camiseta branca. Gosto de espaço. Do “clean” e do “up”… Mas nem sempre estou. Livre mesmo só quando estou “despida" e só. Não gosto de metade. Só quando faz-me inteira. Não gosto de nada pouco. Só comida e sono. Karla Mello
Estão a ser lidos... ❥....
27 de Maio de 2012
A Jardineira
Resolvi ser jardineira!
Assim... Hoje!
Doravante!
Comecei com os canteiros - Meus!
Acariciei a terra
Dos sonhos meus
E adubei com esperança
Quero eu folhas verdinhas!
E no meu avental - Nos bolsos!
Sementes de Amor
Das diversas cores!
Do vermelho, do branco...
Do azul!
Ah! A azul é da flor rara...
É alimento só para a alma!
Da vermelha, mais um pouco...
Paixão na ponta dos dedos
Dá-me, Vênus!
Madrinha dos canteiros de mim!
Da branca, mais um bocado... Sim!
Quero paz no meu regato!
Hoje acordei
E conversei com o Sol
Pedi raios bem mansinhos
Que aqueçam com carinho
As sementes brotinhos.
Mandei recadinho à chuva
Que venha de vez em quando
Pousar leve orvalhinho
Nas sementes de mim.
No mais, nada quero, então
A permanecer jardineira.
Plantar amores e poesias
De mim e da melhor maneira.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "O Nascimento da Vênus" - Sandro Botticelli
insana...
linha cruzada
encontros
olhares
um sorriso de hiena
um outro que quer amparo
mãos dadas
um crédito
uma entrega
um laço
que era nó
cega...
ela estava cega.
tempo senhor
a arrancar máscaras
levantar poeira
deslizes
mentiras
graves mentiras
lágrimas
prisão sem grades
torturas
mais profundas - na alma
foi à lama
à nocaute
à vergonha.
dedos apontam
do julgo
do abandono
distanciamento
dela de si mesma
dos outros dela mesma
solidão
fundo do poço
pouca a água
pouca a fé
em cozimento
à fogo brando.
parou
respirou
olhou-se, então
e fez as malas
guardou a ternura
e partiu.
largou as roupas
do medo
da vergonha
alma lacerada
e olha aos céus
clama ardente
estica os braços
e puxa
as "barbas" de Deus
e anjos "bombeiros"
apagam o fogo
do inferno que arde
e lavam-na
com compressas
de Amores e Perdão.
e levam-na
a um campo de flores
e ela, hoje
descansa em paz
e anda pela vida
a distribuir poesias
e flores e sorrisos
e sabe-se ainda
que ela continua
a plantar o Amor
nela mesma!
para que possa
distribuir
ao vasto mundo
insano.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: Irene Sheri
Capítulo 45
E ela está no capítulo quarenta e cinco do Livro.
Julgo eu ter lido ela já muito mais da metade do Livro e ela anda aflita.
O mundo à sua volta é pequeno demais e haja vista que nas páginas lidas de outrora, apenas dois radiantes acontecimentos:
Radiantes como o sol que cega os olhos quando surgem no seu leste.
Não que estes acostecimentos não a sejam os mais preciosos...
Mas para um Livro com uns setenta capítulos, sendo eu otimista, é muito pouco.
Então, amanhece. E ela vê o mesmo sol lindamente radiante de quase todos os dias.
E ela tenta em vão, então, colocar este Sol nas páginas deste Livro a desejar ardentemente que faça-se a mesma Luz e festade outrora por todos os dias dos próximos capítulos.
E ela larga o Livro... Cansou por hoje.
Há muitas outras coisinhas, quiçá, mais importantes do que aqueles raios de Sol.
Eu... Não acredito.
Ela... Apenas sonha.
Julgo eu ter lido ela já muito mais da metade do Livro e ela anda aflita.
O mundo à sua volta é pequeno demais e haja vista que nas páginas lidas de outrora, apenas dois radiantes acontecimentos:
Radiantes como o sol que cega os olhos quando surgem no seu leste.
Não que estes acostecimentos não a sejam os mais preciosos...
Mas para um Livro com uns setenta capítulos, sendo eu otimista, é muito pouco.
Então, amanhece. E ela vê o mesmo sol lindamente radiante de quase todos os dias.
E ela tenta em vão, então, colocar este Sol nas páginas deste Livro a desejar ardentemente que faça-se a mesma Luz e festade outrora por todos os dias dos próximos capítulos.
E ela larga o Livro... Cansou por hoje.
Há muitas outras coisinhas, quiçá, mais importantes do que aqueles raios de Sol.
Eu... Não acredito.
Ela... Apenas sonha.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Reflexo do Sol" - N. Bou
24 de Maio de 2012
a poesia foi ser feliz!
ando pela vida afora
sem versos
sem reversos
de mim.
ando no "limbo"
sem Poesias
sem lágrimas azuis
nem saudades
no alvo papel.
guardei tudo!
e fechei a porta
Preciso de um tempo
e esquecer meus guardados
mas leio sempre
os versos
dos imortais
alimentam-me a alma
que anda calada
que anda sorrisos
que anda tola
que anda feliz.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Menina Pulando Corda" - Orlando Teruz
16 de Maio de 2012
Um certo amor...
Correntes pesadas que arrastamos nós
Antagonicamente asas de anjos.
E que nos sangra o coração...
Este poderia ser mais um poeminha de amor
Passional, extravagante e até sensual.
Mas falo aqui do Amor sublime
Que nos aproxima do Criador
E nos faz fazer pazes constantes
Com os demônios de nós mesmos.
Oramos a eles e praguejamos à nós...
Amor único que não se desvencilha
Que se morre à cada lágrima
E ressucita-se à cada sorriso.
Um amor que nos faz ficar catatônicas
Estagnadas e antagônicamente felizes.
Para que possam eles passar à nossa frente
E nos deixa ares de contemplação e a alma rasgada.
Um amor que não cabe nas palavras
Que inunda os olhos nossos
Ao vê-los desfilar lindamente pela vida
Com sorrisos e sonhos e dores nossas
Resvelada neles... Mas é tão sem querer...
Um amor que a tudo suporta
Que ouve, cala e chora.
Que alegra-se com apenas uma flor
Nem isso... Um sorriso.
Um olhar que brilha vestido de sonhos!
Bordados iniciados por nós
E continuados por eles.
Estive a pensar sobre isso e não dormi.
Estive, a noite inteira a tentar traduzir
O que não tem nome, nem dimensão, nem razão
O que nasceu apenas à mulher
O que move o útero e o faz doer
Sempre, sempre, sempre...
Um amor de desejo de redoma
De sermos pateticamente uma pata
Com asas enormes e fila indiana - eles
Num desejo de infância eterna
De cheirar... Eles têm um cheiro!
Um cheiro que reconhecemos onde quer que estejamos
Que não há alquimista que o manipule
Um cheiro de filho
Um rastro de loucura
Um amor perto do paraíso
E que nos faz desecer aos infernos
Da nossa existência pouca e tantas vezes, confusas.
E amassamos a nossa vida
Uma bola de papel escrita e apagada tantas vezes...
E nos livramos dela
E guardarmos os seus nomes
Numa lista infindável de desejos a eles
Da plenitude das vidas suas...
Haja que a nossa
Já esquecemos num rascunho qualquer
E nos perdemos
E nos encontramos
Na imensidão do oceano
Que reside em seu olhar.
E que nada mais importa e que tudo é muito pouco.
Criação do ser... que amor é este?
Que nem nome tem... sem medidas assim?
Hoje amanheci perto da loucura.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Anjinho da Mamãe" - Espiridião Vaccari
14 de Maio de 2012
Meu Matulão
Amanheceu
Muito é o sol
Esperava eu
Raios mais ternos.
Repleta e inteira - eu
De amores guardados
Inchados,
Doídos,
Não gritados,
Não matados,
Abafados,
Chorados,
Calados,
Sem tocar,
Nos teus cabelos.
Sem cheirar
O teu cheiro menina.
Sem o olhar meu
Nos olhos de luz teus...
De fé
Que não possuem mais
Os meus.
Guardo tudo, então
No pano da noite.
Num matulão
Gigante
Do tamanho
Do que não tem.
E mal posso dar um nó
E furo embaixo
Bem pequenino
Só aceitas assim...
E pingo a represa
Sobre ti
O meu Amor
Em conta-gotas.
E ainda espero
O desejo teu
De passar embaixo
E deixar pingar
Sobre ti
As minhas gotinhas
Da represa
Do meu Amor
Que chega a doer
O peito,
A garganta em nó.
É pesado...
O pano da noite,
Meu matulão.
Mas torna-se afável...
Haja que esperar-te
É sentir-me plena
E longe de tudo.
Perto apenas
Deste inefável
Amor.
Karla Mello
*MATULÃO* : Trouxa de pano que os Nordestinos Brasileiros carregam na cabeça.
Pintura à óleo sobre tela: "À Espera de Barcos" - João Marques de Oliveira
10 de Maio de 2012
Entre Dois Amores...
Maternidade minha
Sentimento que não coube a mulher em mim
Coube apenas a mãe - plena...
E sentia-me acompanhada e quase protegida.
À mim nada faltava
E sobrava amor - exalava cheiro de mãe
Tempo de mim que coube apenas
Lágrimas de agradecimentos
Ao Criador.
À cada mexida
À cada sonho com o vosso rostinho...
Eu não saberia escrever nada sobre a maternidade
Sei apenas aproximar-me da tradução da minha
Do estado de Graça que inavadiu-me
E lapidou o Amor em mim
E lapida a existência pouca e minha
Quando olho nos olhos
Dos meus filhinhos
E encontro-me
E perco-me de Amores
E se choram, choro eu
E se estão felizes, aquieta-se o meu coração
E perdoo tudo e já nem lembro.
Os vossos sorrisos são meus
Só que mais frescos e vestem esperança
E de uma ternura que nunca pude ter.
Os vossos olhos - janelinhas da alma
Também são meus
Não nas cores...
Mas na forma de olhar para a vida
Para o próximo
Para os bichos e natureza
Uns são verdes tal o Rio Tejo
Pois que não há uma vez que mire eu o Tejo
E não mergulhe na minha saudade verde.
Outros são castalhos... claros...
E saltam luz desde meninos
Luz que os olhos meus
Talvez nunca tenham conhecido
Eu dei à ela... A minha luz é dela.
Maternidade minha
Levarei eu estes amores que não traduzo
Em meus versos
Em meus sorrisos mais verdadeiros
Em minha lágrimas sinceras
Em minhas palavras de verdade
Que necessito dizê-las
E que, por vezes, machucam...
E muito mais à mim.
Peço perdão por isso...
Peço perdão por ser mãe assim
Por meus erros e descompassos de mim.
Mas o meu Amor é tanto
Que, se pudesse eu
Viveria todas as dores vossas
E vós, apenas colheriam as flores
Do caminhar pela vida.
As dores seriam todas para mim... todas.
Sei bem lidar com elas.
As flores e os amores... Todos correspondidos!
E passarinhos coloridos!
E banho de riachinho!
E cheiro de terra molhada!
E proteção e todo o Amor que houver no mundo...
Nasceram para vos cantar e encantar.
A vós... Meus amores eternos...
Meus filhinhos.
Fechem os olhos...
Imaginem um enorme envelope
Nele... Um arco-íris
Borboletas azuis e inocência eterna.
Sorrisos de criancinhas e algodão doce.
Pássaros coloridos dos nossos domingos meninos.
Balanço da beira da praia e hélice de avião.
Fogos de artificio e fogueira de São João.
Pipoca, sorvete, chiclete, infância no coração.
Balões de aniversário, mágico, bolo de chocolate.
O meu amor, o amor do vosso pai - eternos.
O Amor das vossas avós que estão no céu.
A fé... Em Deus, em si mesmos e na vida.
Hoje... O presente é vosso.
E todos os dias de minha vida - vossos.
A minha gratidão, hoje, a Deus...
Por ser exageradamente mãe
De dois amores
Exageradamente lindos... Em tudo.
Deste Amor meu que aproxima-me...
Do amor do Criador por nós.
E que não necessito nada
Nem dos amores vossos
Apenas amo-os... à eternidade minha.
Karla Mello
2 de Maio de 2012
Sina
Conta carneirinhos
Canta a ti ninar
Conta os teus cachinhos
Enlaça-os no anelar
Cadeirinha de balanço
O vento vem soprar
Levar para bem longe
Saudades do além-mar.
Enlaça-te... Abraça-te...
No colo seu imaginário e frio
Brotam dos olhos águas do rio
Rio de nós... Ria!
Brota das mamas leite vida tua!
Do ventre amoroso de outrora...
Resta agora apenas o vazio!
Conjulga o verbo amar
Em todos os tempos hajam!
E roga trégua à esta dor!
O Poeta se expõe! Se expõe - Expõe!
O amor que grita e os cachos de sonhos!
Enlaça-os no anelar e conta carneirinhos
E faz que vai dançar... A chorar e a gritar!
E faz uma prece e não sabe a quem!
E faz uma jura que não vai cumprir!
E a dor é companheira e o desdém?
É sina que nunca se cumpre.
O Poeta se expõe...
Esta sim... Se cumpre.
Karla Mello
Pintura à Óleo Sobre Tela: "Esperança" - Elisêo Visconti
O Ciclo da Lágrima
Em todas as lágrimas
Estão dores e amores
E vêm todas das estrelas lá do céu...
Núvens generosas as colhem
E num coadorzinho de pano alvo
Tecido pela candura da lua
Filtram, as nuvens, todas as dores
Gurdam-nas ao fabrico das tempestades!
E despejam, assim, gotinhas
De chuvinha de amores - sobre nós
Todas as mulheres "Rubras Rosas"!
E o sol generoso de todas as manhãs
Aquece as pocinhas de lágrimas nossas
E levam às estrelas novamente
Para que elas todas...
Possam chorar por nós.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela - Pintor Vino de Morais
1 de Maio de 2012
O meu sobretudo...
Acaso não trazes a alma inquieta?!
E vês apenas uma face sobre tudo?!
Um "sobretudo" também tem várias faces!
Mesmo que seja alvo demais!
Claro... Claro... Claro!
O seu mundo é perfeito!
E a sua visão é turva - Sobre tudo...!
Então estou eu a julgar...
Com a minha única visão!
A da dor minha que trago eu e bebo-a lentamente
Em tragos... que inebriam-me de uma amor que não explico.
E que visto-a todos os dias!
O meu "sobretudo" - pesado!
Do meu viver muito...
Do meu viver parco!
Por vezes, sim...! E então?!
Do meu andar por aí...
A pensar sobre tudo...
Toda "engomadinha" e de sorrisos alvos
Que, nem sempre, quero dar.
Karla Mello
E vês apenas uma face sobre tudo?!
Um "sobretudo" também tem várias faces!
Mesmo que seja alvo demais!
Claro... Claro... Claro!
O seu mundo é perfeito!
E a sua visão é turva - Sobre tudo...!
Então estou eu a julgar...
Com a minha única visão!
A da dor minha que trago eu e bebo-a lentamente
Em tragos... que inebriam-me de uma amor que não explico.
E que visto-a todos os dias!
O meu "sobretudo" - pesado!
Do meu viver muito...
Do meu viver parco!
Por vezes, sim...! E então?!
Do meu andar por aí...
A pensar sobre tudo...
Toda "engomadinha" e de sorrisos alvos
Que, nem sempre, quero dar.
Karla Mello
Imagem Google
28 de Abril de 2012
ao Sol Maior...
e és apenas humana
tu és o amor - dor minha
eu - tornei-me um semi-deus
em fé menor
que o grão da mostarda.
entretanto sei de ti
princípio e meio
embora desconheça o fim.
e desfaço-me
ao Sol Maior
e ergo as minhas mãos
ao Sol e ao céu
e sinto-me tão só.
e o meu amor a ti
arde tal a fogueira
que sái do teu olhar...
e eu sinto tanto frio,
tanto...
e o teu olhar convida-me
de mentirinha
a aquecer-me dentro dele...
nas fotografias
e toco-as, cheiro-as, cheiro-te
e amo-te tanto
que posso aquecer-me a saudade
do que fomos nós
apenas ao tocá-las.
semi-deus pecadora que sou
e queria tanto eu
lavar-te o coração magoado
com lágrimas minhas - puras apenas a ti.
e queria tanto eu
poder amar-te como d'antes
quando aquecias-me
no fogo ardente do teu olhar à mim
que era, não sei se de amores,
ou de amores necessários.
mas se queres mesmo saber - um dia,
contentaria-me eu
com este teu amor migalhinhas de pão
haja que sou passarinho - vivo pouco e amo muito.
e queria apenas poder eu
pousar o batente quente
do teu bom coração.
bom coração sim - não te esqueças!
sei de ti princípio e meio
apenas não sei o fim - de nós.
sinto-me perdida, perdida...
no amor imenso que te dou
espalho-o e sopro-o
da janela minha
e aproveito o vento favorável
nem sempre o é.
e rogo e choro e rego e canto - a ti
todos os dias...
ao nosso amor... em Sol Maior.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Mulheres" - Brad Kunkle
24 de Abril de 2012
Liberta-me...
Me tem compaixão
Destes grilhões que prendem-me
E que deixam-me sem respirar.
Sem ver o sol
Ahh... eu amo o sol!
Sou sua filha!
Estas correntes tão pesadas...
Doídas, amor meu
E a dor já nem cabe nas palavras.
Dá-me a tua compaixão
Olha-me, amor meu!
Eu posso voar!
Nasci com pequenas asas
E tantos, muitos sonhos!
Perdoa-me, amor meu...
Não nasci para nada pouco.
Existo largamente na vida!
E grita dentro de mim
Uma liberdade inquieta
Que nem sempre gosto de senti-la.
Queria poder ser comum...
Ou silenciosa e resignada
Tal a Virgem Maria.
Mas há tanto barulho
E tantas em mim, tantas!
Não poderia ser apenas uma...
E não caberiam tantos sonhos.
Ama-me, meu amor...
Eu preciso de algo real.
Acalma-me e canta para mim...
E quebra estes grilhões...
Basta que sopres
E saia da boca tua a brisa do amor
Que declama-me lindos versos
Todas as vezes
Em que os nossos olhares
São apens um.
Liberta-me, amor meu!
Deixa-me voar...
Nasci para voar em versos e sonhos.
Liberta-me...
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Borboleta" - Millani
O Anjo e a Pseudo-Fada...
Dá-me a tua mão
És hoje meu menino
E eu, a tua fada de sonhos bons.
E já não temos idade
E não há nem o tempo...
E te levarei ao céu.
Comeremos algodão doce de nuves!
E assim, as nossa bocas
Proferirão apenas palavras doces.
E comeremos pirulitos de arco-íris!
E depois, sopraremos juntos
Muitas borboletas coloridas!
Sobre a terra...
Sobre o nosso amor.
E saciaremos a sede nossa
nas águas das cachoeiras...
Nus, livres, anjos - Tu e eu.
Na imensidão do Criador
A olharmos de cima,
Lá de cima, amor meu...
O nosso pequenino mundo.
E nada, nada mais
Há de nos fazer chorar.
Dá-me a tua mão - teu colo...
Olha-me, olha-me!
A prometer-me nada,
A proteger-me sempre...
Com a tua ternura verde - o teu olhar.
Karla Mello
23 de Abril de 2012
Avesso...
eu sou a noite - tua
assim me vês tu
e noite é sombra.
e, sendo eu, sombra
busco as migalhas da luz
do teu amor - meu
aqui e ali...
fotos, fatos
ambos rasgados
mas emendados
hoje, apenas por mim...
com cola de amor
de criança
de goma feita em casa - cola
de todas as colas juntas.
e não necessito de ti
a exalar o amor meu...
o meu amor é - ponto.
está em ti,
mesmo que não queiras
e sejas sempre
reticente.
o meu amor é ponto.
afirmação.
reticências apenas
na sua infinitude.
olho-te escondida
e queria apenas um tanto
um pouco ínfimo
um segundo
da ternura do teu olhar
que pousa sobre tantos
e nunca sobre mim.
queria até ser coisa tua
qualquer coisa que tocasse
as tuas mãos.
que merecesse
o teu rápido
de soslaio - quem sabe - olhar
ou ser brisa
e cheirar os teus cabelos
sem incomodar-te
sem fazer os meus tantos barulhos
barulhos tantos do amor que sinto
e que nem precebes.
e o perdão...
ahh... o perdão!
ele também cansa-se de perdoar.
tenha cuidado...
muito cuidado com o tempo,
senhor de todas as dores!
posso curar-me
inclusive de ti
e ficar ao avesso - aversa!
lembra-te da cola?!
seca... se a esquecemos a ermo.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Mulheres" - Brad Kunkle
Tantos, tantos sóis...
escarra!
cospe em minha face,
não me importo!
não serás o primeiro a desfazer-se
de mim.
nesta vida, tantos nós
tanto sós
invento sóis em mim.
não venhas falar-me de "coisinhas"
tão pequenas e breves quanto a vida.
some em mim a paciência pouca
e não me comeve a tua voz rouca
embargada e repleta de lamúrias.
quando a minha voz já foi tão pouca
inexistente e só.
não gostas se rio-me da tua fraqueza?!
ergue-te em teu viver sempre amparado!
eu não tive, não tenho amparo
e vivo a amparar-me a mim mesma...
sem sossego nem paradeiro.
então aprende, respira, levanta-te!
ergues tu a tua bandeira!
demarca o teu território
e dás tua vida por ele!
pois debaixo deste sol que arde
sobre todo o mundo
não há apenas a dor tua...
nem a minha.
inventas tu o teu sol!
eu... sou "dona" de tantos sóis!
e, se um deles não brilha
cantarolo eu o meu destino
e danço a dança da chuva...
e sou perto da loucura
e sobrevivo!
e tiro do bolso meu... o dos sonhos!
um dos tantos sóis que guardo comigo
e bordo-o...
no escuro céu de mim...
e eu... sou a minha própria luz.
e não há outra.
não há.
Te permito, então, e até gosto:
escarra!
e alivia-te!
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Mulheres" - Amanda Joseph
22 de Abril de 2012
Lamacenta Fênix de Mim...
há uma parte de mim
a melhor parte
que brinca de morrer
que brinca de viver
num surto!
acena-me de longe, se viva
e traz-me esperanças de amores
enterra-me ao sempre, se morta.
sarcástico!
e nem sei se devo amar-te
não sei mais.
e faço silêncio
embora quisesse mesmo
gritar a minha dor.
e este silêncio que faço
é lâmina e mata-me!
te comportas tu tal a hiena
quase sempre.
e me rondas...
e rir-se de mim
mas não sabes, então
que lidas com a fênix
de mim
que morre e renasce
tantas e tantas vezes
incontáveis!
e das lágrimas minhas que caem
sobre a terra árida,
chão onde encontro-me,
lamaceia...
e ergue-se outra
e sou tantas!
e sinto tanto tudo
que, por vezes
nem reconheço-me.
e perco-me
e nem sei se quero amar
ou odiar.
erguida...!
mas a ti - o fôlego é sempre curto
vomito a lamacenta fênix
de mim.
e tu... cinzas de mim.
Oh! Dá-me asas, toda a mitologia!
arranca-me esta dor de tanto amor!
do que não posso amar!
do que devo sempre amar e servir
e cobrir e acalentar!
arranca-me esta dor de tanto amar!
que enfraquece-me...
e retorna-me ao chão... sempre.
e eu nem sei o por quê.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "O que nos consome" - Sara Vieira
Olor...
cortinas trasparentes
tal todas as almas
nem sei bem se tal a minha.
água escaldante
esquenta o corpo meu
quem dera o meu coração.
frio lá fora
frio cá dentro - de mim.
bolhas de sabão
bolhas de cheiro em minhas mãos
frascos, muitos frascos
frescos... de banho
de que me servem?
sou criança e prefiro
os banhos de chuva...
e olho à volta e é silêncio!
o cão me olha e nada entende
ou tudo entende e eu não entendo!
roupa seca de vestir
e se molhada... não importa
absorta sentí-me
por um instante
instante este
que não sei aferir
haja que não cabe
no tempo
cabe no mau tempo
tempos breves de mim.
bolhas cheirosas
olor de água fresca
inundam-me, lavam-me
levam ao vento
os tempos breves de mim.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "India Pataxó e a Bolha de Sabão" - Myrtis Leena
20 de Abril de 2012
Recadinhos...
chuva mansinha
vou à janela
molho o meu rosto
sinto a paz.
brisa que embala
a chuva fininha
vieste de lá?
vem apressadinha!
traz-me o cheirinho
dos meus filhinhos
antes que esvaia-te
pelo caminho!
sopra de volta - brisa
leva depressa!
chuva fininha
com beijo de mãe
embrulhado em - saudades - fitinha
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Crianças" - Imagem Google
19 de Abril de 2012
Pássaro Vermelho
e quiseste sair de mim
desde cedo
escorrer por minhas pernas
vestida de vermelho
não te deixei ir-se
de mim
aquietei-me
e silenciei
e orei tanto, tanto
e chorei
e escrevi a ti
tu tens tudo anotado
e o medo meu
de que nunca lesses
insisti
ah... enlouqueci
te segurei
nas entranhas minhas
com garras e força
que possui
o meu amor
insisti
resolveste ficar
sempre inquieta
e nem completaste o ciclo
devido
apressada em largar-me, tu
sempre a olhar as horas
das nossas palavras
desencontradas e ternas
e eu... sempre a olhar as horas - tempo
a pedir ao tempo
que dê tempo ao tempo
de quereres ficar.
nos entretantos, entre tudo
a esperar fica o meu canto
no meu recato
e no meu regato
banho o meu rosto
lágrimas minhas
postas, quase todas
apenas tuas.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Pássaro Vermelho" - Evelise Chagas
desde cedo
escorrer por minhas pernas
vestida de vermelho
não te deixei ir-se
de mim
aquietei-me
e silenciei
e orei tanto, tanto
e chorei
e escrevi a ti
tu tens tudo anotado
e o medo meu
de que nunca lesses
insisti
ah... enlouqueci
te segurei
nas entranhas minhas
com garras e força
que possui
o meu amor
insisti
resolveste ficar
sempre inquieta
e nem completaste o ciclo
devido
apressada em largar-me, tu
sempre a olhar as horas
das nossas palavras
desencontradas e ternas
e eu... sempre a olhar as horas - tempo
a pedir ao tempo
que dê tempo ao tempo
de quereres ficar.
nos entretantos, entre tudo
a esperar fica o meu canto
no meu recato
e no meu regato
banho o meu rosto
lágrimas minhas
postas, quase todas
apenas tuas.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Pássaro Vermelho" - Evelise Chagas
18 de Abril de 2012
Um Girassol...
Se maldições saíssem de minha boca
Amaldiçoaria, assim, à mim mesma
Que não soube te cuidar
Embora pensasse eu que sim
Flor do meu jardim
Flor amarelinha,
Meu raio de sol,
Pois que se assim soubesse eu
Ocupávamos lugares outros
Não serias tu a flor
E eu os teus espinhos todos
Seria eu um girassol dentre milhares
E tu... o meu sol.
E seguiria eu a ti, com o amor que sinto
À luz do teu lhar que sempre guardo.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "As Deusas do Amor" - A. Tapadinhas
16 de Abril de 2012
da minha mentira...
à partir de amanhã eu vou amar estar fora do meu país.
vou ficar feliz quando todos esquecerem de mim
vou pular de alegria quando eu tiver cheia de serviços de casa
e vou negar a beleza da lua
que, aliás, nem é tão bela assim.
à partir de amanhã não vou mais sonhar
nem escrever mais nada
nem ler... quero mesmo emburrecer.
à partir de amanhã vou esquecer dos meus filhos
esquecer que sofri e que mentiram para mim...
e mentem... e minto.
que fui usada um dia enquanto pensava tratar-se de amor.
amor... não vou mais acreditar que ele existe
vou abandonar o meu cãozinho
deixar de ter fé... em deus, na vida, em mim mesma.
à partir de amanhã vou desejar inverno todos os dias
e não vou mais ficar feliz com a luz do sol
nem vou mais gostar de flores!
nem nos cabelos, nem nos jardins.
à partir de amanhã vou dormir cedo e abandonar as idéias
usar idealina e ficar idiota... e será melhor assim.
à partir de amanhã não vou amar o meu homem
nem vou desculpar mais nada, nem esquecer.
também não vou mais desculpar-me. nem a mim!
à partir de amanhã vou comer jenipapo
vou gostar de comer muito e beber água até afogar-me.
à partir de amanhã vou ao cabeleireiro fazer qualquer coisa que eu mesma saiba fazer
só para fazer... porque vou gostar.
me transformarei numa compradora compulsiva de tudo
e não olharei, nem de soslaio, para as borboletas.
à partir de amanhã...
e amanhã... tornarei a dizer à partir de amanhã...
e à partir de amanhã...
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Anjos" - Maria Júlia de Almeida Caseiro
14 de Abril de 2012
Sou brejeira...
Me acorda com um cheiro
Brejeiro, maneiro
Mesmo sem dinheiro
A gente dá jeito
E não é romântica a luz do candeeiro?
Faz de conta que é fevereiro
Carnaval na nossa cama
Desarrumada
Enfeitada
Perfumada
Com água de cheiro
Faz de conta que é maio
Primavera e flores
Não me fala das horas
Deixa-me sem relógio
Sem tempo
Sem nada
Sou pernambucana
Da cana caiana
Do cabelo ao vento
Enfeitado com flor
Do vestido estampado
Miudinho e levezinho
Da sandália de couro
Trago o cheiro da tangerina
Do caju, da manga madura
A vida é tão dura
Me acorda só com um cheiro...
À luz do candeeiro.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Morena com Cajus" - Wagner de Oliveira
13 de Abril de 2012
Do sonho...
Permaneço perto
Mas parto sempre
Pois que reparto eu
Sonhos meus.
Alguns
Os sonham comigo
Outros
Nem sequer percebem
Se eram sonhos
Ou não.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: Vladimir Volegov
A Flor de Mamãe...
Entre meinhas e chicletes escondidos
Abaixava-se eu menina
Nos canteirinhos descuidados
Do bairro em que nasci.
Sempre encontrei tamanha beleza
Nesta florzinha ou "casinha"
De formigas trabalhadeiras
Florzinha largada
À sorte de olhares inocentes
Cândidos...
Como os meus da menina que fui.
Nela encontrava eu a ti
Minha mãezinha.
Talvez quisesse eu guardar-te
Dentro deste miolinho
Cercar-te da textura aveludada
Das pétalas
Tão diferente da vida que cercava-te
Assim... Junto às formiguinhas rendeiras
Iguaizinhas a ti.
Seria como guardar
Ternura dentro da ternura.
Eu nunca soube o seu nome
Também de que serviria-me o nome
Se eu percebia além do seu nome?
Feliz carregava-as eu
Ela e as formiguinhas todas
A entregar-te esta ternura
Que nem de longe
Assemelha-se à mim.
Assemelha-se sim a ti
Irmã gêmea da alma tua.
E serás tu, minha mãezinha
A receber-me, um dia,
Com todas as florzinhas desta que te dei
Com o teu colo cheiroso de mãe,
Com o abraço que procuro sempre,
Com a certeza do que é eterno.
E colheremos juntas
Esta florzinha que não sei o nome
Mas que chamo-a
Com saudade latente...
A flor de mamãe.
Karla Mello
13 de Abril de 2012
Fotografia: Maurício André Anjos
O meu beijo a todos os 13!
Gatinho preto
Anda de mansinho
No telhado lá fora
E caem da telha
Pozinho das estrelas
Sobre o nosso beijo.
Noite de lua cheia
Temos ainda treze
E nos amamos sim.
Debaixo da escada
Nosso primeiro beijo
Vou guardá-lo ao sempre
Nas asinhas dos morcegos
Espalhadinhos
Que ganham vida
A noitinha
E poderão levar
Desejinhos escondidos
Meus
Até aquela lua
Que nos assiste a tudo
E que nunca, nunca
Os vou confessar.
Nem a ti... A ninguém!
Àpenas a lua os saberá
Se serão atendidos
Ou não...
Esperarei mais treze... anos.
Numa sexta... Treze.
Embaixo de um degrau da escada - Da vida
Qualquer.
Karla Mello
13 de abril de 2012
Pintura à óleo sobre tela: "Cat and Bird" - Paul Klee
12 de Abril de 2012
Maré Cheia...
hoje...
a maré está cheia
vomita sargaços
ressacados
do fundo do mar.
a jogar-se nas pedras
a revolver areia fina
esquecida por todos
lembrada sempre
pela pescadora de sonhos
descalça
de pés cortados
e calças dobradas
que sempre retorna
à marca que risca - ela
o limite - da maré.
hoje...
a maré está cheia
a lua é nova
boa para pescar
peixes e estrelas
estão todos à mostra
e a lua esconde-se
a esperar
abraços largos
da pescadora que sonha
mas não tem abraço.
hoje...
a maré está cheia.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Mulheres" - Brad Kunkle
a maré está cheia
vomita sargaços
ressacados
do fundo do mar.
a jogar-se nas pedras
a revolver areia fina
esquecida por todos
lembrada sempre
pela pescadora de sonhos
descalça
de pés cortados
e calças dobradas
que sempre retorna
à marca que risca - ela
o limite - da maré.
hoje...
a maré está cheia
a lua é nova
boa para pescar
peixes e estrelas
estão todos à mostra
e a lua esconde-se
a esperar
abraços largos
da pescadora que sonha
mas não tem abraço.
hoje...
a maré está cheia.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Mulheres" - Brad Kunkle
8 de Abril de 2012
Da Minha Partida...
Depois da minha partida
Cansada e talvez cumprida
Queimem este fardo-corpo
Que ocupo eu.
Procurem um terreno amoroso
De amores que eu nunca tive
E, numa covinha profunda
Cinzas minhas, do pó ao pó.
Apenas mais uma gentileza:
Plantem nesta, uma mudinha
De árvore, de florzinha
Podem ser Acácias ou Nuvem
A lembrar a minha mãezinha.
Para que possa "eu"
Ter a Florbela nos "cabelos".
Para que que possa eu
Ser sombra fresca - Enfim!
Exalar-me pelas folhinhas
E espalhar-me no ar…
Exalar-me ao mundo!
Manter por perto os meus balanços de cordas
A balançar criancinhas outras
E a embalar, como meus...
Todos os sonhos seus.
Karla Mello
Vila Viçosa, 07 de Abril de 2012
Pintura à óleo sobre tela: "A mulher e a Flor" - Artista não mencionado por pesquisa Google
6 de Abril de 2012
Inefável Amor...
Tu sabes tanto de mim.
Antes de mim. De tudo.
Quando um dia… Era tudo ainda o nada.
Ou quando o nada… O era apenas a nós.
Não. Não acredito nesse tal “sono eterno”.
Seria muito monótono.
Não combina Contigo.
Acredito na face volátil e eterna.
Na essência Tua em nós.
Somos livres… E de tão livres…
Podemos nem querer-Te bem.
Nem mal… Nem nada.
Silencio…
Olho a minha volta…
Tudo é movimento…
De certo, não és monótono.
Tudo o quanto é Teu move-se e tem cor.
E quanta sensibilidade… Cores infinitas…
Infinitos tons e dons.
És o próprio dom.
Inclusive o materno.
Vejo-Te sempre…
Nos olhinhos ternos dos “animaizinhos”.
No afago da criança…
E, fundamentalmente, no silêncio.
Ah… Já fui à vários templos
Todos de pedra e hipócritas.
Hoje… Meu templo-corpo…
Casa Tua.
De certo, um tanto desarrumada.
Mas no meu templo este…
Silencio a Ti.
Ora oro, ora peco, ora choro.
Por Teu colo quente
Por Tua mão que afaga
E abranda tudo em mim.
O meu mar revolto…
Só Tu acalma-o.
Faze-o dormir.
Sopras brisas de sentimentos aos meus ouvidinhos de filha.
E levanta-me a noite, ainda dormindo…
E faz-me acordar envolta em palavras…
Barulhos de passarinhos…
Melodias de anjos bons…
Que eu jamais as saberia cantar ou contar.
Num universo fora de mim. Templo Teu.
Pois tudo o que há em mim… É Teu.
Nada sou… Quando dano-me e procuro-me em Ti…
E não estou em Ti.
Colorido és… De infinitos tons…
Todos Teus. Tua criação.
Perfumado… Como as águas que caem dos riachinhos
E levantam o cheiro da terra.
Movimento… Sei que gostas muito de movimento.
Porque tudo o é que vivo… Move-se.
Em Teu ritmo. Em Tua cor.
E tens um enorme senso de humor…
Presente nas molecagens das Tuas criaturinhas “bichos”.
E como és detalhista…
Andei a olhar as perninhas das formigas.
As nervuras das asinhas das borboletas.
És tão preciso… Nem mais, nem menos.
O exato.
Nada sobra.
Nada excede.
Eu excedo-me… Sempre.
E retorno ao templo de mim…
Todos os dias.
E silencio.
E sinto o Teu Amor por mim.
O teu nome… Vários nomes.
E atendes a todos os que Te reconhem.
Eu prefiro chamar-Te de Amor…
De Jesus de Nazaré.
Karla Mello
Setembro/2011
Antes de mim. De tudo.
Quando um dia… Era tudo ainda o nada.
Ou quando o nada… O era apenas a nós.
Não. Não acredito nesse tal “sono eterno”.
Seria muito monótono.
Não combina Contigo.
Acredito na face volátil e eterna.
Na essência Tua em nós.
Somos livres… E de tão livres…
Podemos nem querer-Te bem.
Nem mal… Nem nada.
Silencio…
Olho a minha volta…
Tudo é movimento…
De certo, não és monótono.
Tudo o quanto é Teu move-se e tem cor.
E quanta sensibilidade… Cores infinitas…
Infinitos tons e dons.
És o próprio dom.
Inclusive o materno.
Vejo-Te sempre…
Nos olhinhos ternos dos “animaizinhos”.
No afago da criança…
E, fundamentalmente, no silêncio.
Ah… Já fui à vários templos
Todos de pedra e hipócritas.
Hoje… Meu templo-corpo…
Casa Tua.
De certo, um tanto desarrumada.
Mas no meu templo este…
Silencio a Ti.
Ora oro, ora peco, ora choro.
Por Teu colo quente
Por Tua mão que afaga
E abranda tudo em mim.
O meu mar revolto…
Só Tu acalma-o.
Faze-o dormir.
Sopras brisas de sentimentos aos meus ouvidinhos de filha.
E levanta-me a noite, ainda dormindo…
E faz-me acordar envolta em palavras…
Barulhos de passarinhos…
Melodias de anjos bons…
Que eu jamais as saberia cantar ou contar.
Num universo fora de mim. Templo Teu.
Pois tudo o que há em mim… É Teu.
Nada sou… Quando dano-me e procuro-me em Ti…
E não estou em Ti.
Colorido és… De infinitos tons…
Todos Teus. Tua criação.
Perfumado… Como as águas que caem dos riachinhos
E levantam o cheiro da terra.
Movimento… Sei que gostas muito de movimento.
Porque tudo o é que vivo… Move-se.
Em Teu ritmo. Em Tua cor.
E tens um enorme senso de humor…
Presente nas molecagens das Tuas criaturinhas “bichos”.
E como és detalhista…
Andei a olhar as perninhas das formigas.
As nervuras das asinhas das borboletas.
És tão preciso… Nem mais, nem menos.
O exato.
Nada sobra.
Nada excede.
Eu excedo-me… Sempre.
E retorno ao templo de mim…
Todos os dias.
E silencio.
E sinto o Teu Amor por mim.
O teu nome… Vários nomes.
E atendes a todos os que Te reconhem.
Eu prefiro chamar-Te de Amor…
De Jesus de Nazaré.
Karla Mello
Setembro/2011
5 de Abril de 2012
Do bosque...
a poetisa
contemplava um bosque
à sua volta.
pingos de chuva
molharam a sua face
ela - feliz!
lavava a alma.
e era bosque
também.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: “Menina de vestido rosa” - Stella Bianco .
Da Insônia...
Ronca o amante
Rinite.
Ronca o cãozinho
Descanso.
Ronca o destino
Incerto.
Ronca o porquinho
Róseo
Do futuro velho
De mim.
Ronca o relógio
Avisa do tempo!
Ronca o céu
Tempestade!
Roncam o motor e a cidade.
Roncam carneirinhos
Os que conto eu - Da insônia minha.
Escuto eu… Longe
O canto
Do passarinho
Que não dorme à noite
Amiguinho...
Canta para mim
E adormeço assim.
Karla Mello
3 de Abril de 2012
Antagônica - mente...
balões coloridos
estourei-os todos
e não quero mais ser cândida
a ti.
nem prestar-me
a parque de diversões
teu
estou sem graça.
e nem ser bálsamo
nem socorro.
hoje
quero odiar-te
no teu desdém
ódio
avesso do amor meu
infinito
que hoje dói
infinito.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Explosão" - João Fonseca
estourei-os todos
e não quero mais ser cândida
a ti.
nem prestar-me
a parque de diversões
teu
estou sem graça.
e nem ser bálsamo
nem socorro.
hoje
quero odiar-te
no teu desdém
ódio
avesso do amor meu
infinito
que hoje dói
infinito.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Explosão" - João Fonseca
30 de Março de 2012
Do tempo em que tanto amei a ti...
A boca salivou
Amargou
Contorci
E vomitei.
E verti lágrimas
Tão amargas quanto as palavras.
E fatos guardados
Desconversados
Mal resolvidos
Te devolvi!
Melhor…
Dividi, gentil cavaleiro!
Venenos gurdados
Apenas em mim
E nascidos de nós,
Do nosso atropelo.
Frascos entulhados
Úmidos e embaçados
Sempre "novos"
Num contracenso
E nada esquecido
Apenas por mim?
Injusto…! Bebe o teu trago!
Tomou. E silenciou.
Fui ao lavabo
E lavei o meu rosto
Tentei respirar
Profundo
Mirei-me a face
Mais corada, até.
Alinhei os cabelos
E as idéias.
Não fiz montaria, meu senhor…
Mas sei prender entre os dedos
A crina do meu destino.
Sou dona e domo-o com maestria
Monto e remonto
Subo e desço e pronta a tudo!
Inclusive a renascer…
Das cinzas que tu me deixaste.
Aonde vais tu com o teu cavalo
Crina elegante, também a montaria
Repleto de regras e medalhas
E o teu viver parco?
Eu…?
Vivo o anárquico!
Me "limpo" do sangue - Meu…
Me "sujo" do mundo - Vasto… Eu Vivo!
E cuspo a tua farda maldita!
E amo o meu tempo róseo…
Do tempo em que tanto amei a ti.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela - Lilases - Graça Campos
Amargou
Contorci
E vomitei.
E verti lágrimas
Tão amargas quanto as palavras.
E fatos guardados
Desconversados
Mal resolvidos
Te devolvi!
Melhor…
Dividi, gentil cavaleiro!
Venenos gurdados
Apenas em mim
E nascidos de nós,
Do nosso atropelo.
Frascos entulhados
Úmidos e embaçados
Sempre "novos"
Num contracenso
E nada esquecido
Apenas por mim?
Injusto…! Bebe o teu trago!
Tomou. E silenciou.
Fui ao lavabo
E lavei o meu rosto
Tentei respirar
Profundo
Mirei-me a face
Mais corada, até.
Alinhei os cabelos
E as idéias.
Não fiz montaria, meu senhor…
Mas sei prender entre os dedos
A crina do meu destino.
Sou dona e domo-o com maestria
Monto e remonto
Subo e desço e pronta a tudo!
Inclusive a renascer…
Das cinzas que tu me deixaste.
Aonde vais tu com o teu cavalo
Crina elegante, também a montaria
Repleto de regras e medalhas
E o teu viver parco?
Eu…?
Vivo o anárquico!
Me "limpo" do sangue - Meu…
Me "sujo" do mundo - Vasto… Eu Vivo!
E cuspo a tua farda maldita!
E amo o meu tempo róseo…
Do tempo em que tanto amei a ti.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela - Lilases - Graça Campos
20 de Março de 2012
Ocupada...
Ocupado!
Seco.
E deveria terMelodias de amores.
Ocupavas-te de mim
Ocupo-me de mim
E de ti. Ainda.
Desocupas-te de mim
E ocupas-te apenas de ti.
Que pena.
Prometeste-me que nunca o estarias
A mim
Que apenas tenho
A ti e aqui.
Pobre de mim.
E ocupo-me
No meu balanço de cordas
Que você nem viu...
No quintal de mim
Entre os sonhos e as cores
E as canetinhas mágicas
Fazedoras de colos
E mentiras tuas.
E choro.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "O Balanço" - Sabrina Souza Pinto
A prima Vera
A prima Vera vem visitar-me
E traz consigo sorrisos de borboletas azuis
Hálito fresco em sua boca
Com sorrisos de Rosas meus.
A prima Vera vem comigo passar
Apenas três meses
Mas trará consigo na mala algumas coisinhas
E manias minhas que com ela deixei:
Esta mania de flor no cabelo
E de sorrir com tudo e por nada
E de andar descalça na relva à minha volta
E na dos meus pensamentos.
Preciso apressar-me...
Está na hora de ir buscá-la na Estação!
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Regali di Primavera" - Silvana Violanti
17 de Março de 2012
Pedra Bruta...
Sábia pedra do caminho
Que a tudo assiste e permite
Que o vento e as águas e o tempo
Trabalhem-na e a esculpam.
Trabalha o meu espírito
Vento, águas e tempo
Dores e amores
Como se pedra
Eu fosse.
Karla Mello
Que a tudo assiste e permite
Que o vento e as águas e o tempo
Trabalhem-na e a esculpam.
Trabalha o meu espírito
Vento, águas e tempo
Dores e amores
Como se pedra
Eu fosse.
Karla Mello
13 de Março de 2012
Abandono da morta...
E aquela mesma madrugada fria veste-se de sonhos
e beija-me o rosto ainda adormecido.
Convida-me a dançar e tento alinhar os meus cabelos,
mas alinhá-los é carne e não é sonho e é tão desimportante
e olho à janela e o bosque é iluminado à luz da Lua
Dorme o meu amorzinho e jamais me conhecerá
Porque és ninho de passarinho da alma minha e do repouso meu.
E a inquietude da madrugada veste-se tão irresistivelmente
e une-se à minha e chama-me. E chama-me e beija-me agora a boca
e sopra-me segredos meus em minha boca e que não te posso contar.
Chorarias, meu anjo bom. Chorarias.
Teus olhos foram feitos apenas para a minha contemplação
e são janelas verdes de cortinas frescas que adormecem agora.
Cedo então à sua dança e à morte da outra que dorme ao teu lado
e a madrugada sempre veste-se de sonhos e de silêncio. Encantadora.
Ainda menina e já eu e ela num dueto quase perfeito
se não fosse este silêncio que apenas não cala o que escuto
em gritos e para dentro de mim.
Se eu pudesse, meu anjinho, da minha boca a ti
sairia apenas ternura e estaria sempre disponível aos teus beijos
que tocam-me os lábios e a alma acalma-me
tal a mais fina seda e nem mereço e que nem sempre desejo.
Este meu mau feitio e esta madrugada que chama-me e gosto tanto
e esta prazerosa sensação de estar-se só e poder ser outra.
A que enxerga-se melhor na madrugada do nada que tudo é
e do que nada sou e aprecio o meu nada e vazio bem de perto.
Esvazio-me de tudo o que é vivo meu e move-se no mundo
e sinto-me repleta de uma vida só, quieta e apenas minha.
Vem à mim a madrugada e esta vida é apenas minha
em que nada eu a permito e apenas à mim
tal os brinquedos meus de outrora que pensava eu ganharem vida
enquanto eu dormia e os vigiava a fazer de contas que dormia
a segurar nas mãozinhas do soldadinho de chumbo
que portava-se frio ao atravessar a vida apenas dos vivos
mas não na minha certeza das risadas que ele poderia arrancar-me
e na minha expectativa de apanhá-los todos de surpresa
nalguma noite quando mais distraídos e felizes.
Mas tão perspicazes os brinquedinhos meus e que sabiam tudo de mim
e inclusive do meu sono leve e dos meus muitos sonhos de quimera.
Sinto saudades dos meus brinquedinhos que ganhavam vida com a madrugada
e eu queria tanto fazer parte com todos eles e brincar e ser feliz.
Talvez em nem voltasse mais, de certo.
Esta mesma vida que ganho eu quando novamente a mesma madrugada
beija-me e convida-me a dançar e sopra-me segredos meus.
Eu nunca consegui surpreender os meus brinquedos no seu momento vida,
mas ainda espreito-os quando dou alguns passinhos para trás.
E assim como eles não poderia eu deixar-te surpreender-me à mim, meu amorzinho,
nas vidas tantas que sinto e vivo se seguro nas mãos da madrugada.
E ponho-me a dançar, a sorrir, a sonhar e acompanhada apenas por ela
e uma alegria invade-me e nem penso em retornar.
Apenas quando lembro-me de ti, amor meu
e dos meus dois passarinhos que começam a cantar para mim.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela - "A Visita de Hypnos" - Carlos Dugos
5 de Março de 2012
Irmã flor da saudade...
Vai, minha flor
Balança ao vento.
Brisa que toca
O teu lindo rostinho.
Brisa de saudades
De Bênção de Deus.
Brisa, beijos meus
Dos anjinhos da guarda
Todos à tua volta
Cantando a ti
Musiquinha de sonhos bons
Musiquinha de acalmar.
E não te surpreendas
Se quando acordares
Vires uma borboletinha
Na tua janela.
Pousar em ti
Que és minha flor.
Fui eu quem a enviou
Num abraço azul
De amores...
De amores.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela - "Borboleta Azul" - Edmilton Sebastião
1 de Março de 2012
O Criador e a criação...
No último dia do inverno
Penso que Deus procura a sua varinha de condão
E faz um pequenino movimento
Sobre o minúsculo planetinha Terra.
E quando amanhece Primavra...
A paisagem já está completamente mudada.
Abruptamente. Impressionantemente.
E fico a imaginar que se o planetinha
Fosse um centímetro mais para a esquerda
Ou "se chegasse" mais para a direita
Na relatividade do campo do universo
Não seria possível existir a vida na Terra.
A Lua, o Sol...
Meticulosamente calculados e posicionados
À apenas nos aquecer...
E iluminar sem machucar.
E somos um pontinho ínfimo no imenso universo
E as nossas vidas...
A vida de cada um de nós...
Em nossos contextos e famílias e diversidades.
Únicos.
E a natureza e nossos irmãos animais
E a cadeia alimentar...
E o mais pequenino ser vivo da Terra.
Sim! ... Uma grande orquestra!
Comparo-o assim quando contemplo o céu "pequeno"
Que a minha pouca e "curta" visão alcança.
O universo é uma gigantesca orquestra
O Criador... A Criação.
E nós... Mesmo envoltos em tanto Amor
Tentamos todos, todos os dias...
Desafiná-la na nossa... Na minha pequenez.
É um tanto paciente
Este nosso Deus de Amor.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Presente de Deus" - Gil
27 de Fevereiro de 2012
Damas da Noite
Admiro as Damas da Noite.
Dos segredos dos homens hipócritas que por elas apenas passam.
E as usam. E elas os guardam consigo.
E os afagam. E os consolam.
Morrem com eles. Os segredos.
Choram com eles e por eles.
Nenhum chora por elas.
E retocam o batom. E sobem no palco. E vão dançar.
Admiro a permissão delas que em nisso tudo reside.
Da sua solidão assumida. Nunca reclamada.
Por sua família... Execrada.
Das dores físicas. Das dores da alma.
Ou pensas que nas Damas da Noite
Não lhes doem a alma...?
Gosto da fortaleza das noites frias com poucas vestes.
Gosto deste "pecaminoso" desprendimento e do "estarem entregues".
Assumidamente entregues. Prefiro-as.
Às que sobem no mesmo "palco" mas "dançam" com "máscaras".
As damas da noite não as necessitam.
Estão assumidamente esperando aos seus vários homens.
Fico a imaginar a sua infância
Onde o seu caminhar apenas bifurcou.
Devem ter fotografias da infância
Perdidas à propósito nalgum lugar do seu pequeno "espaço".
No mesmo espaço onde guardam seus sonhos desfeitos
E sonhos que nunca foram vividos... E apenas não há o que esquecer.
Respeito o seu domínio sobre o homem tolo.
E a sua fé. E a sua lágrima.
Damas da noite devem guardar segredos dos quais nunca eu saberei.
Segredos do avesso escuso do homem ser.
Do homem imundo ser... Das "máscaras" e dos "palcos".
Pacientes.
Transformam suas camas em confessionários
Do mais genuíno "despir-se" do ser.
Confessam-se todos.
E saem todos sem nenhuma penitência.
A penitência é apenas delas.
A de serem...
As Damas da Noite.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Dama da Noite" - BLOG TC Artes
26 de Fevereiro de 2012
Espelho
Posso sim.
Sou laço e sou nó
Joguei capoeira
E também sei valsar
Se ventania, derrubo
Se brisa, posso acalmar
Sou errante e aprendiz
Boca que ora
Palavra que açoita
Não sou nenhuma "santa"
Mas ainda posso ser ama
De leite... De deleite.
E ainda ser dama
Silenciar
Deixar mandar.
Ingênua até
Mas se eu quiser ousar.
Tenho "sangue" nas veias
O "pavio" é pequeno
O cabelo é vermelho
As idéias são livres
E sou filha das águas
Correntes
Das nascentes
E gosto do amarelo.
Do espelho e de ser mãe.
E não tenho lugar.
Não quero lugar.
Meu lugar é silêncio e natureza.
E não queira prescrutar-me
Teu olhar não despe-me
Dispo-me quando eu quero
Portanto... Guarda-te!
Ando farta
Do teu descontentamento.
Move tu a tua vida
Ninguém gosta-me mais ou menos.
Até o Cristo abomina o morno.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Luz" - Ronaldo Martins
Sou laço e sou nó
Joguei capoeira
E também sei valsar
Se ventania, derrubo
Se brisa, posso acalmar
Sou errante e aprendiz
Boca que ora
Palavra que açoita
Não sou nenhuma "santa"
Mas ainda posso ser ama
De leite... De deleite.
E ainda ser dama
Silenciar
Deixar mandar.
Ingênua até
Mas se eu quiser ousar.
Tenho "sangue" nas veias
O "pavio" é pequeno
O cabelo é vermelho
As idéias são livres
E sou filha das águas
Correntes
Das nascentes
E gosto do amarelo.
Do espelho e de ser mãe.
E não tenho lugar.
Não quero lugar.
Meu lugar é silêncio e natureza.
E não queira prescrutar-me
Teu olhar não despe-me
Dispo-me quando eu quero
Portanto... Guarda-te!
Ando farta
Do teu descontentamento.
Move tu a tua vida
Ninguém gosta-me mais ou menos.
Até o Cristo abomina o morno.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: "Luz" - Ronaldo Martins
Dois por três...
Dois por três
Metros.
Dois por três
Vidas.
Dueto afinado
Amordaçado ao passado
Sem fim, sem fim.
Dois por três
Troco.
Dois por três
Passos.
Passos curtos
E inspiro na janela
Expiro, expiro.
Dois por três
Sonhos.
Dois por três
Amores.
Roda de ciranda
E escuta musiquinha
Da boca do anjinho
"Descansa em mim, em mim."
Como podes falar de Deus
Se não escutas musiiquinha da boca do anjo…?
Tampouco entender de amores…
Se sempre andaste calçado…
E, se descalço, hoje, pisas nas flores…?
Pula, então, e cruza as perninhas
E brinca e pula amarelinha
De calças curtas… É facil…!
São dois por três, dois por três!
Karla Mello
Pintura à ólo sobre tela: "Anjos Músicos" - Cidália Trincão
Metros.
Dois por três
Vidas.
Dueto afinado
Amordaçado ao passado
Sem fim, sem fim.
Dois por três
Troco.
Dois por três
Passos.
Passos curtos
E inspiro na janela
Expiro, expiro.
Dois por três
Sonhos.
Dois por três
Amores.
Roda de ciranda
E escuta musiquinha
Da boca do anjinho
"Descansa em mim, em mim."
Como podes falar de Deus
Se não escutas musiiquinha da boca do anjo…?
Tampouco entender de amores…
Se sempre andaste calçado…
E, se descalço, hoje, pisas nas flores…?
Pula, então, e cruza as perninhas
E brinca e pula amarelinha
De calças curtas… É facil…!
São dois por três, dois por três!
Karla Mello
Pintura à ólo sobre tela: "Anjos Músicos" - Cidália Trincão
17 de Fevereiro de 2012
No forro da malinha...
Exilada de mim e te dei tudo e escolhi. Eu.
Avessei e desvivi. Que dia é hoje e que lugar é este?
Sufoco histórias minhas tão reais…
“clareio-as” com uma borracha que comprei em Itu.
Esqueço tudo e me dou… mas decidi hoje que não quero ser flor
Ora rega-me… ora rego-me.
Este vai e vem… lembra-me o barulho estúpido do relógio.
Lembra-me o tempo perdido e o que urge.
Choro. E hoje quero ser dor.
Dói, não vês?
E hoje resolvi gritar e chamar palavrões
Ficar “de boca suja” e “descabelada” e chata…
É quando estou lúcida e tanjo todos os passarinhos e borboletas azuis.
E tiro a flor dos cabelos. E o meu anjo da guarda ora.
Amanheci avessada de fazer-te gostos e esquecer-me de mim
Das tuas roupas e meias e manias.
Surpresa!... Também sinto desgostos… muitos!
Tenho uma coleção deles e estou atrasada no quesito perdoar
Atrasada… não sei se seria bem isto… vou reformular depois.
Cansada… cansada dos teus atropelos sobrepostos ao teu destempero
Sou temperada demais. Sou “insana” e muito livre
Papai sempre disse-me isto.
Engraçado… todos gostam mais da menina que reside em mim.
Eu também, até. Mas eu sou uma mulher.
E gosto do tanto faz… mas apenas quando o desejo
Quando desejo o silêncio que queres-me ocupar
Dá-me licença… faça-me o favor!
Eu existo. Respiro. E não preciso de ti
Penso. Erro. Caio. E já bem antes ti em mim
Mas não demoro muito a levantar-me
Tateio no escuro e encontro a saída
Estou cada vez melhor nisso.
Por isso… tenha cuidado comigo
Levanto-me silenciosamente… não faço alarido
Lembre-se: Sou muito amiga do silêncio.
E dentro de mim… também sou o escuro da noite.
Lembra-te dos meus pés cortados?
Pois bem. Já os são mesmo.
Caminho em qualquer chão e não carece ser reto.
Reto… só o meu caminhar.
E mesmo “trôpega”… caminho reto.
E mantenho a classe… e invento asas nos meus pés cortados
Também posso perder esta mesma classe em fração de segundos.
Depende mais de ti… do que de mim.
Sou afinada para a vida… e não tente desafinar-me.
Não conseguirás… porque sei “matar-te” em mim
Por amor a mim. Ahh… eu merço! …
Já atravessei a fase da auto-comiseração faz muito tempo.
Ando sempre atrasada para a vida e não tenho mais tempo para este capricho.
Portanto… Silêncio.
O perigo ronda-me. Ele ronda-te.
Tira esta venda dos olhos teus… torpo homem.
Vê se enxerga-me para dentro e a linha do limite… entre mim e ti.
E passa na livraria… e compra uma lupa.
Mira-te ao espelho com ela. Engole-a.
Olha-te para dentro. Demora.
O teu envólucro é fascinante e o teu quarto de ti é muito bagunçado.
Grita pela janela afora… ao mundo!
Mas não venha ditar-me regras tuas e conceitos teus.
Eu os respeito todos. Mas não os imponha à mim.
Venha com calma e faz-me um cafuné… posso ceder
Mas cedo a você quando eu quero.
Tenho todos os meus conceitos e regras que acumulei
E não foi na modista… nem ensinou-me a professora de etiquetas
Nem no colégio de freiras… de lá, que não mesmo…
Ahh… estas baboseiras todas fazem-me rir!
Exijo respeito e existo. Dá-me licença.
Não guardo apenas a caixinha de lápis de cera e sonhos bons.
No forro da malinha há mágoas e solidão… um bloco e uma caneta.
E sou amiga do silêncio e, de ti, não espero nada
E respeito muito as marcas do meu rosto e mais ainda as da minh’alma.
Esta é a parte para não esquecer.
O resto… pode esquecer. Eu mesma lembro sozinha.
Perco sempre os meus óculos… mas tenho a memória de elefante.
Dá-me licença. Perdi a paciência. Cala a tua boca.
Seja bom maestro… eu permito a você reger-me
Tocas-me… mas não estica muito as cordas.
Eu… posso partir.
Karla Mello
Pntura à óleo sobre tela: "Mulher Cão" - Paula Rêgo
16 de Fevereiro de 2012
Tempo meu querubim...
Sim… eu criei um anjo.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: Friedrich Von Amerling
Protegi-o tanto… esquecí-me
de cortar as asinhas.
Não cresceu… é querubim.
Quando ela saiu
de mim… apressada
fadas trouxeram-lhe
duas estrelinhas
e puseram em seu olhar.
Trouxeram ainda
o colar de pérolas
do pescoço da Lua
e compuseram
o seu sorriso que encanta.
Ainda canto… no canto
do quarto da minha saudade inteira
apenas à ela.
Segredo… ela nem sabe.
Cozi vestidinhos
bordei-os de sonhos
linhas de seda
pedrinhas de quimeras.
E ela… linda em sua beleza rósea
nega-se a “despir-se”
sair para a vida
largar as asinhas.
Por o salto, o batom e a armadura
sem esquecer a ternura.
O relógio marca o tempo
preciso acordá-la.
Dizê-la do horário
já são vinte anos…
e horas muitas.
E sonhos muitos.
E o trem vai partir… o último.
Não… o penúltimo.
Mas não devo dizê-la.
Ela precisa aprontar-se
e nem é vaidosa.
Mas tem uma mania minha…
a de atrasar-se
estar sempre certa
aos apenas vinte.
E sonha… e pensa…
e acredita demais.
Encosto-me.
Beijo-a o rosto de querubim
sopro bênçãos de mãe
num afã de que ela… de fato
não acorde nunca.
É o único momento em que passa-me
este desejo estúpido de ser eterna
apenas à ela.
Guardada num vidrinho à mão
segurando um lencinho
e com colo que chama-a para ninar.
E ela seria para sempre
O meu querubim.
O trem…
preciso apressá-la.
Karla Mello
Pintura à óleo sobre tela: Friedrich Von Amerling
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Primavera!... Colhendo flores num bouqué de Poesias...!
- Karla Mello... Poemar... Colhendo flores em bouqué de Poesias...!
- A Poesia é mais que tudo. É Arte. É incômodo e inquietação. Não combina com vaidades... Minha vaidade... combina apenas com o meu batom. Gosto mesmo é de molecagens... de natureza... de bichos. Gosto pouco de gente. Mas gosto muito de GENTE. Gosto de andar descalça e "nua"... atravessando a "ponte" que há entre os meus pensamentos e a ponta da minha caneta. Livre.
Refletindo...
O mundo necessita de sorrisos fáceis e francos.
De atitudes éticas... de gentilezas.
Gentilezas não nos custam absolutamente nada.
O mundo necessita de compaixão e amor ao nosso semelhante. A natureza pede respeito... Nós somos a natureza!!
Um ótimo dia a todos nós!
Recebam beijos de muito carinho e gratidão.
Karla Mello
De atitudes éticas... de gentilezas.
Gentilezas não nos custam absolutamente nada.
O mundo necessita de compaixão e amor ao nosso semelhante. A natureza pede respeito... Nós somos a natureza!!
Um ótimo dia a todos nós!
Recebam beijos de muito carinho e gratidão.
Karla Mello










































